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Corona Vírus e Saúde Bucal

By 23 de junho de 2020dezembro 23rd, 2020No Comments

Em entrevista ao Programa CE no Ar, da Tv Cidade, canal 05, Dr. Adriano Abreu, dentista Cearense com vasta experiência na área da saúde bucal, nos conta as principais formas de prevenção contra infecções e contaminações pelo covid-19. 

Muitas notícias circulam a respeito dos cuidados que devemos tomar em relação a higiene bucal neste tempo de pandemia. Para evitar que notícias fakes sejam propagadas e prejudiquem a proteção das pessoas contra o vírus, o odontólogo Dr. Adriano Abreu esclarece algumas dúvidas frequentes, tais como:

O Coronavírus pode realmente entrar no nosso organismo pela boca? 

Sim, pode ocorrer. O Dr. Adriano explica que no período de Covid-19 os cuidados com a higiene oral devem ser mantidos. O paciente deve usar normalmente o fio dental, a pasta de dentes, escova, porém deve lembrar que isso tudo será manuseado, e que antes de realizar a higienização oral, o paciente deve se atentar a uma eficaz higiene das mãos! 

Dr. Adriano nos recorda da importância em seguir o protocolo de limpeza das mãos, que tanto vem sendo divulgado nos meios de comunicação. Ressalta ainda, que no processo de higiene das mãos devemos respeitar o tempo de 40 segundos, ou seja, ao lavar as mãos observar sempre os movimentos indicados e respeitar o tempo estipulado, tudo para que se possa garantir a total eliminação do vírus nas mãos.

O Dr. Adriano também faz menção a cuidados mais específicos em relação a saúde bucal neste momento de Pandemia. Ele recorda que existem algumas infecções pulmonares que podem ocorrer via oral, e que diante disto é fundamental uma maior atenção a higienização do dorso da língua e do terceiro molar, que na arcada dentária corresponde aos nossos últimos dentes. Ambos se localizam muito próximos da região orofaringe, o que torna um fator de maior risco para eventuais infecções pulmonares. A higiene de tais áreas não só é imprescindível para prevenção da contaminação pelo coronavírus, como também para ajudar os pacientes que já contrariam a doença.   

Outras dúvidas frequentes são a respeito das principais mudanças nos atendimentos odontológicos. A Associação de Odontologia criou um manual com algumas recomendações para esses atendimentos, o Dr. Adriano Abreu fala mais a respeito de tais mudanças. 

Destaca, que grandes mudanças estão acontecendo e irão acontecer durante esse período, que os profissionais da saúde, onde incluem-se também os profissionais da odontologia terão que estar a postos e preparados para todas estas mudanças.

Uma das grandes mudanças, e a que mais chamou sua atenção foi em relação ao tempo entre os atendimentos. Explica que atualmente por conta da propagação do vírus os atendimentos não poderão mais seguir uma sequência, não se pode mais ter uma recepção com dois, três pacientes aguardando atendimento, o momento permite apenas um paciente por vez. 

A este paciente também é recomendado não trazer acompanhante, pedimos sempre que ele venha só. 

Ressalta que os intervalos entre um paciente e outro ficaram maiores, pois é necessário um maior tempo para descontaminação de todo o ambiente de trabalho, instrumentos, equipamentos, roupas, luvas, máscaras, tudo deve ser esterilizado e/ou substituído por novos. 

Outra grande mudança que chamou atenção do Dr. Adriano, foi justamente em relação ao uso de jalecos de tecido, o que sempre ocorreu na odontologia, porém nesse momento de pandemia não é recomendável. 

A nova paramentação do Dentista deve ser toda reciclável, o jaleco por exemplo deve ter a gramatura entre 40 a 50 centímetros de espessura, dentre outras recomendações, todas visando a total segurança do paciente.  

Dentre as mudanças, também destaca o uso mais frequente de ferramentas para descontaminação dos ambientes clínicos, como o exemplo do Gás Ozônio que vem se mostrando uma forte ferramenta na descontaminação dos ambientes para atendimento. 

O uso da Luz UV também vem sendo estudado com a mesma finalidade de descontaminação de ambientes clínicos, e alguns estudos já nos trazem respostas positivas quanto a isso. 

Os exaustores por exemplo são ótimas ferramentas para se manter um ambiente clínico seguro, pois eles renovam o ar, fazendo esse ar circular. No mais, manter janelas e portas abertas, manter o ar condicionado sempre muito limpo, dentre outros muitos cuidados e novidades que irão aparecer na área da saúde. 

Outra dúvida muito comum é em relação as escovas de dentes. Que cuidados precisamos ter com a escova de dente já que muitas vezes as pessoas tem o hábito de deixá-las expostas em um copinho dentro do banheiro? O que se deve fazer em relação as escovas de dente quando temos casos de covid-19 em nossas famílias? Como fazer o armazenamento correto das escovas de dente pra evitar que elas sirvam como meio de propagação dessa doença?

 Dr. Adriano Abreu nos explica que até bem pouco tempo atrás não precisávamos guardar as escovas em um antisséptico bucal, hoje a orientação da Organização Mundial de Saúde é exatamente isso, guardar sua escova dentro de um recipiente que contenha enxaguante bucal.

Imagine uma família que tem apenas um banheiro e guarde todas as escovas de dente juntas, se uma pessoa contrair o vírus as outras também terão altas probabilidades de infecção. Então o armazenamento e limpeza das escovas com a solução de antisséptico é primordial para que se evite a propagação do vírus.

Deve-se lembrar que caso você esteja infectado, a cada vez que estiver realizando a sua higienização oral e deixando aquela escova contaminada na área comum, no ambiente aberto, você poderá se reinfectar, se recontaminar. Então o uso do antisséptico é justamente para evitar esta propagação do vírus, como também uma reinfecção pelo mesmo.  

Com relação a troca da escova, hoje o que se pede é que o paciente que foi diagnosticado com a Covid-19, troque de pronto a sua escova. A possibilidade de uma recontaminação ainda não foi descartada pelos cientistas. Portanto, se contraiu a doença ou está sob suspeita, troque sua escova de dentes, nunca permaneça com a mesma escova para não correr o risco da recontaminação.